A noite fria parecia conspirar a favor da celebração do Doom Metal, com a turnê de Robert Lowe pelo Brasil. Os shows aconteceram em São Paulo e Sorocaba, reunindo fãs ávidos por presenciar uma das vozes mais emblemáticas do estilo.

Resenha por: Luciano Charles Freire de Lima (Seraph Zine)
Vocalista do Solitude Aeturnus e também do Candlemass — onde lançou três álbuns e um EP — Lowe carrega um peso histórico que dispensa apresentações.
Quem abriu a noite foi o Midgard, trazendo faixas do seu EP lançado em setembro de 2025. Com clima quase sabático e uma performance firme, a banda conduziu o público a um estado contemplativo. Estreando nova formação, contou com Paula Jabur nos vocais e Omar Rezende na guitarra e vocais, explorando bem a dinâmica entre guturais e vocais limpos.
A presença ilustre de Alex, do Imago Mortis, que participou em duas músicas, elevou ainda mais a interação com o público. O Midgard tem presença carismática e soube equilibrar bem suas variações vocais — especialmente nos momentos em que Paula “mandou ver” no gutural, criando um contraste interessante com os vocais limpos de Omar. Mesmo com o público ainda tímido no início, a banda foi conquistando espaço e atenção aos poucos, tocaram musicas dos seus ultimos Eps e do seu album Verdugos.
Na sequência, entrou a Loss, trazendo uma sonoridade mais voltada ao Stoner Rock, com uma vibe mais empolgante e menos melancólica. Power trio direto de Belo Horizonte, liderado por Adriano Avelar (vocal e guitarra), apresentou músicas do seu álbum Storm e também de seus últimos EPs.
Com repertório em inglês e português, destacaram o single “In My Mundo” e mostraram toda a energia que já vinha da turnê europeia. E digo: bandas mineiras têm um “molho” próprio — não dá pra explicar, só sentir. Foi uma grata surpresa ver o carisma e a potência deles ao vivo, totalmente à vontade no palco, como se estivessem tocando entre amigos.
E então chegou o grande momento: o mestre, o mago, Robert Lowe. Com sua presença enigmática e ao mesmo tempo carismática, ele demonstrava claramente o prazer de estar tocando no Brasil. Acompanhado por músicos experientes — Fábio Carito (baixo, Metalium / Shadowseed), Bruno Luiz (guitarra e backing vocals, The Heathen Scythe, Gloria Perpetua, Command6) e Rodrigo Abelha (Bateria) — entregou um show sólido.
Pudemos matar a saudade de riffs marcantes. Embora muitos aguardassem mais músicas do Solitude Aeturnus, o set começou com material da fase no Candlemass, especialmente dos álbuns King of the Grey Islands e Death Magic Doom. Quando vieram as músicas do Solitude, o público cantou em coro, criando um dos pontos altos da noite.
Houve um momento em que o retorno de voz falhou — curiosamente, quem estava mais ao fundo escutava melhor do que quem estava próximo ao palco. E claro, não tivemos aqueles agudos longos e altíssimos na voz em algumas musicas que tanto amamos, mas só de ouvir clássicos como “In the Gallows End”, “Hammer of Doom”, “Opaque Divinity” e faixas de Into the Depths of Sorrow, já valeu cada segundo.

No fim, ficou aquela sensação agridoce: eu esperava mais músicas do Solitude Aeturnus, mas, ainda assim, todos saíram felizes por presenciar um momento único. Agora fica a esperança: quem sabe um dia o Solitude Aeturnus não pinta por aqui? Talvez num Setembro Negro Festival da vida… vamos aguardar!
Categoria/Category: Review de Shows
Tags: Disciple of Doom • Loss • Midgard • Robert Lowe
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