Angra Reunion; Pura celebração e nostalgia em show sold out de 3 horas de duração em São Paulo

Após ter anunciado uma pausa por tempo indeterminado em suas atividades em setembro de 2024, pausa essa que se iniciaria em 2025, o Angra foi anunciado em novembro desse mesmo ano como um dos headliners do festival Bangers Open Air em São Paulo na última semana de abril desse ano de 2026, em um show especial em celebração dos 35 anos da banda, também celebrando os 30 anos do álbum “Holy Land” e 25 anos do álbum “Rebirth“, contando com a então formação atual; Rafael Bittencourt (guitarra), Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria) e Fabio Lione (vocal), além do tão esperado reencontro da formação “nova Era” que gravou “Rebirth” (2001) e “Temple of Shadows” (2004) (considerada uma das melhores fases do grupo), com Kiko Loureiro (guitarra), Edu Falaschi (vocal) e Aquiles Priester (bateria), esse show também seria marcado como a despedida do italiano Fabio Lione, tendo sua saída anunciada no mesmo mês de novembro de 2025, sendo prontamente substituído por Alírio Netto (artista solo, Queen Extravaganza, ex-Shaman, Age of Artemis, entre outros).
Texto e Fotos: Mr. Traveco “André Alves” da Alquimia do Rock.

Mas além da apresentação realizada no domingo do dia 26 de abril no festival, a banda também anunciou um show à parte na capital paulista no Espaço Unimed no dia 29 do mesmo mês, apenas 3 dias depois do festival, tendo como o diferencial a execução na integra do disco “Rebirth”.

Com todos esses ingredientes citados, no dia do show foi anunciado que ingressos estavam totalmente esgotados, e foi com esse clima que o público aos poucos foi enchendo o Espaço Unimed numa típica noite paulistana de garoa, fãs de diferentes cidades e estados lotaram o recinto para celebrar a história de uma das mais importantes bandas do heavy metal brasileiro, público esse formado por diferentes gerações; era possível notar pessoas na casa dos 50 anos de idade que acompanham o Angra desde seus primórdios até uma galera bem jovem que nem havia nascido quando o grupo ressurgia com “Rebirth” lá em 2001.

O show começou pontualmente no horário marcado (21 horas), com a atual formação executando as clássicas “Nothing to Say” e “Angels Cry“, um início perfeito tirando a pequena falha no microfone de Alírio Netto bem no comecinho da primeira, mas nada que tenha chegado sequer perto de estragar um início triunfal. Na sequência, Alírio deu um boa noite para o público e soltou a seguinte frase; “pelas próximas duas horas o coração de vocês pertence ao Angra”, bom, o show na verdade duraria bem mais do que essas duas horas, para o deleite dos fãs que de fato entregaram o coração, de corpo e alma, em uma noite que se mostraria histórica e inesquecível.

O show foi dividido em 3 atos, no “Act I” houve uma mescla de temas antigos considerados clássicos com alguns do último álbum “Cycles of Pain” de 2023; “Tide of Changes – Part I”, “Tide of Changes – Part II” e “Vida seca“, músicas recentes que já caíram no gosto dos fãs, mas a noite era definitivamente de clássicos eternos como “Lisbon” , “Carolina IV” e “Make Believe“, com destaque para “Wuthering Heights“, clássica versão para o hit de Kate Bush gravada pelo Angra no disco “Angels Cry” de 1993, sendo dedicada ao saudoso Andre Matos, foi a oportunidade para Alírio mostrar suas virtudes também no piano. A “surpresa” dessa primeira parte ficou por conta do desfecho com “Waiting Silence“, não por ser uma raridade no repertório, mas sim por ser um tema gravado por Edu Falaschi, foi uma boa amostra de como canções dessa fase irão soar na voz de Alírio.

Act II; a tão esperada reunião com Edu Falaschi, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Felipe Andreoli e Aquiles Priester, o que veríamos daí em diante foi simplesmente um misto de emoções; muitos fãs ali vinham essa formação pela primeira vez em suas vidas enquanto muitos outros resgatavam memorias afetivas de um período muito especial da carreira do Angra que marcou uma geração de fãs. A trinca inicial com “Nova Era“, “Millennium Sun” (nessa Kiko também mostrou seus dotes no piano) e “Acid Rain” foi algo simplesmente magico para o público ali presente. Rafael Bittencourt fez questão de agradecer a todos que passaram pela banda e falou sobre a necessidade de se reinventar para então mandar “Rebirth”, com sua bela e clássica introdução ao violão e seu início cantada em uníssono pelo público, um dos pontos altos dessa parte do show, que também teve seus momentos de descontração como em “Bleeding Heart“, onde Edu falou sobre o fato da canção ter viralizado Brasil afora com o público em muitos momentos cantando a versão em português (versão do grupo de forró Calcinha Presta), foi a deixa para os gritos de “Calcinha Preta! Calcinha Preta!” e a execução da mesma com um trecho em português. O Act II também teve espaço para “Ego Painted Grey” do álbum “Aurora Consurgens” de 2006, o último gravado com essa formação e “Spread Your Fire” do “Temple of Shadows”.

O Act III começou com aquela que é considerada a primeira música do Angra e que deu nome à primeira demo do grupo; “Reaching Horizons“, contando apenas “Rafael Bittencourt” ao violão, tendo uma falha no som logo no começo, o que obrigou o guitarrista a reiniciar após o ajuste, apesar de ser um show grandioso, o clima era de celebração e também descontração, com o público aplaudindo até mesmo a solução de um problema técnico nesse que foi o momento mais intimista da apresentação.

Essa parte final foi sem dúvidas a cereja do bolo; o clima de emoção e nostalgia se reforçou com imagens de Andre Matos nos telões executando a bela introdução de “Silence and Distance” para então todos os integrantes (exceto Aquiles) entrarem juntos no palco para continuar a música, na sequência, agora com Aquiles, era hora de “Late Redemption”, aos gritos de “Tesouro”, Kiko deu início com a introdução no violão, mas o destaque ficou para as partes vocais; com a participação do público na primeira frase em português originalmente cantada por Milton Nascimento, e as demais partes cantadas por Edu, Alírio e Rafael. Já o Grand Finale, como não poderia deixar de ser, ficou por conta da clássica “Carry On” executada por todos os integrantes, inclusive os dois bateristas!

Foi desfecho perfeito de uma celebração inesquecível, que passou das 3 horas de duração (se contarmos os agradecimentos ao som de “Visions Prelude” executada apenas nos PAs), em um alto nível tanto do ponto de vista musical como em termos de espetáculo, uma produção digna de uma das mais importantes bandas de heavy metal do Brasil pra fã nenhum botar defeito.
Setlist:
Act I: Alírio Netto, Rafael Bittencourt, Marcelo Barbosa, Felipe Andreoli e Bruno Valverde
35th Anniversary Intro
Nothing to Say
Angels Cry
Tide of Changes – Part I
Tide of Changes – Part II
Lisbon
Vida seca
Wuthering Heights (Kate Bush cover)
Carolina IV
Drum Solo
Make Believe
Waiting Silence
Act II: Edu Falaschi, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Felipe Andreoli e Aquiles Priester
In Excelsis (intro)
Nova Era
Millennium Sun
Acid Rain
Heroes of Sand
Unholy Wars
Rebirth
Solo de bateria
Judgement Day
Running Alone
Bleeding Heart
Ego Painted Grey
Spread Your Fire
Act III:
Reaching Horizons (Rafael solo, violão e vocal) Silence and Distance (intro com Andre Matos no piano e voz exibida nos
telões)
Silence and Distance (Alírio Netto, Edu Falaschi, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Marcelo Barbosa, Felipe Andreoli e Bruno Valverde) Late Redemption (Alírio Netto, Edu Falaschi, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Marcelo Barbosa, Felipe Andreoli e Aquiles Priester) Unfinished Allegro (intro) Carry On (Alírio Netto, Edu Falaschi, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Marcelo Barbosa, Felipe Andreoli, Bruno Valverde e Aquiles Priester) Visions Prelude
Categoria/Category: Review de Shows
Tags: Angra
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