Fotos e texto por Sigryd Bagon
No dia 8 de agosto de 2026 aconteceu o segundo dia da quarta edição do Hellsinki Metal Festival, em Helsinque, na Finlândia. O evento é realizado no Nordis, ou Helsingin Jäähalli, arena de hockey que fica na capital do país nórdico. Apesar da previsão do tempo assustar nos dias anteriores mostrando possibilidade de chuva, o tempo foi muito amigável com o público e se manteve firme. Entre os três palcos do festival se revezaram grandes nomes do metal e você pode conferir um pouco de cada a seguir.
Se você ainda não leu a resenha do primeiro dia, clique aqui.
O palco 02 recebeu a banda local Assemble The Chariots para dar início às suas atividades do segundo e último dia do festival. Eu já tinha visto eles em outras oportunidades e novamente foi um show incrível. Desde que conheci a banda, eu realmente gostei do que ouvi e desde então é sempre muito legal ter a oportunidade de vê-los ao vivo. Eles já mandaram “Departure” logo no início, e essa é a minha música preferida deles. Como os fotógrafos podem ficar no pit durante as três primeiras músicas, não era difícil me ver entre uma foto e outra cantando trechos da faixa e me empolgando (na medida do possível – hahaha) como se estivesse na plateia. A energia de palco dos músicos é contagiante, em especial a do frontman, Onni Helmström, que tem um vocal bem potente. O death core orquestrado do Assemble The Chariots, é como uma trilha sonora de filme e o álbum conceitual “Unyielding Night” (2024) reforça exatamente esta ideia.

Em seguida, fui ao palco 01, que teve sua abertura com a brilhante banda finlandesa Numento. A alternância dos vocais de Katri HA, entre lírico e gutural, é literalmente música para os meus ouvidos. E não para por aí: ela ainda toca kantele, um instrumento de cordas finlandês, durante os shows. Eles têm ganhado um espaço notável na cena metal local, mas não é pra menos, diante do trabalho mostrado ao vivo e em estúdio: um progressive melodic death metal muito bem executado e que vale cada minuto do seu tempo.

Um pouco apreensiva novamente com as luzes para fotografar no palco 03, fui conferir a banda oriunda da cidade de Turku, Sepuchral Curse. A luz dos palcos é uma preocupação constante para quem vai fotografar, e esse palco especificamente tem uma luz difícil, mas era uma banda que eu queria ver há algum tempo. Ao mesmo tempo do lado de fora estava tocando o Iotunn, mas a base de fãs da banda finlandesa estava lá bem atenta ao show. Uma fusão de black e death metal muito bem executada, com passagens melódicas e que me faria ficar ali por horas.

Após uma pausa para comer, já era hora de voltar ao palco 02 e dessa vez para finalmente ver uma das bandas finlandesas que ainda faltava na minha lista, o Kalmah. Minha lista ainda é extensa e muitas bandas provavelmente não terei a oportunidade de ver por já terem acabado, mas tive a sorte de ver esses caras no palco do Hellsinki Metal Festival. Que show! Um melodic death metal com uma pegada de power metal para fã de música pesada nenhum botar defeito. “They Will Return”, “Haunted By Guilt” e “Heroes To Us” estavam no setlist. Mas antes que o show acabasse eu precisava ir reservar meu lugar no pit para a próxima apresentação, que felizmente era no palco 01, posicionado exatamente ao lado do palco 02. Conclusão: ouvi as músicas que ainda faltavam para o encerramento lá do outro lado e continuo afirmando a grandeza do show do Kalmah.

Já posicionada no palco 01, eu estava eufórica para ver uma das bandas que mais me chamou atenção quando o line-up foi divulgado, a inglesa Paradise Lost. Isso porque foi a primeira banda internacional que eu fui como imprensa no Brasil, há 20 anos atrás. É sempre legal vê-los ao vivo e me lembrar daquele dia, onde a tecnologia ainda não estava disseminando bandas como nos dias de hoje e dali surgiram amigos que me introduziram diversas bandas. Através deles pude conhecer muito melhor a banda em questão, inclusive. “Small Town Boy” (Bronski Beat cover), “Hallowed Land”, “One Second” e “As I Die” estavam no setlist, mas uma das músicas clássicas, “So Much Is Lost” ficou de fora dessa vez para o desapontamento de muitos fãs da banda, como essa que vos fala.

Os nomes das faixas: “Inis Mona”, “A Rose For Epona” e “Havoc”, soam familiares para você? Então provavelmente você acertou quem encerrou as apresentações no palco 02. A banda suíça, Eluveitie, uma das referências atuais do estilo, trouxe seu celtic/folk metal à Finlândia mais uma vez e lotou a arena em frente ao palco. Muita energia, uma sonoridade impactante e claro, o virtuosismo dos músicos com seus instrumentos celtas presentes o tempo todo ali, diante dos nossos olhos. Além disso, é um show muito bonito de ver, já que o verde da natureza representada no backdrop (esse pano de fundo usado no palco) é vivo e contrasta bastante com o restante do cenário musical.

Enquanto aguardava para fotografar minha última banda do festival, o Opeth, eu pensei em o quanto é cansativo e prazeroso ao mesmo tempo cobrir festivais. No Hellsinki Metal Festival eu adoro o fato de ser em uma zona urbana, ter variedade de comida, estar bem localizado e dar espaço para os artistas exporem seus trabalhos relacionados à cultura dark. Além do mais, o line-up é diferenciado em relação a outros festivais, porque traz o black metal com força, mas não transforma em um culto que segrega outros estilos. E eu diria, como um bom exemplo, que ninguém gostaria mesmo de excluir a banda sueca de progressive metal, Opeth, do time, não é mesmo?!
Um dos pontos que realmente é difícil pra mim no evento é fotografar o palco 01. Como sou desprovida de altura e o palco é muito alto, acabo perdendo muitos bons cliques por causa disso. Claro, não é uma missão impossível, mas como já citei anteriormente, alguns colegas de imprensa (com mais altura principalmente!) não compreendem a dificuldade que é para a gente se posicionar bem e acabam sendo não tão gentis. Mas decidi ainda assim novamente enfrentar o desafio de me juntar ao “mar” de fotógrafos para conseguir ilustrar minha visão do show da banda.
Não sou uma grande conhecedora de todos os trabalhos deles, mas foi impossível não perceber a precisão dos músicos e os contrastes de uma apresentação que alterna momentos delicados com passagens mais pesadas. O público acompanhou tudo com bastante atenção, especialmente durante as partes mais suaves, quando parecia que até a movimentação diante do palco diminuía. “Windowpane” foi um dos pontos altos da suavidade do show, enquanto “Godhead’s Lament” foi o clímax do peso.

No fim, talvez seja justamente essa mistura de cansaço, desafios, boas surpresas e descobertas que me faça continuar dizendo sim a esses dois dias tão intensos. O Hellsinki Metal Festival termina, mas ficam as histórias, as fotos e a satisfação de ter acompanhado mais uma edição de um evento que, a cada ano, me proporciona novas experiências. Nos vemos no próximo ano!
Categoria/Category: Finlândia · Review de Shows
Tags: Assemble The Chariots • eluveitie • Hellsinki Metal Festival • Kalmah • Numento • Opeth • Paradise Lost • Sepulchral Curse
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