O Bangers Open Air 2025 se firmou como um dos maiores festivais de metal do ano no Brasil, reunindo milhares de fãs no Memorial da América Latina, em São Paulo. Após uma sexta-feira poderosa com Glenn Hughes, Doro, Pretty Maids e outros ícones, o sábado e o domingo continuaram a elevar o nível, entregando diversidade musical, shows memoráveis e uma produção à altura das expectativas. A sensação era de estar vivendo um verdadeiro rito de passagem para qualquer amante de metal.
Por: Lucas Amorim Passos
Fotos: Aline Narducci
No sábado, o clima já era de de planejamento logo cedo: com tantos nomes importantes se apresentando em horários próximos, era impossível ver tudo. Na hora do Sabaton, por exemplo, decidi assistir ao show do Lacrimosa — e não me arrependi. A apresentação da banda alemã foi sombria, dramática e intensa. Tilo Wolff, carismático e enigmático, conduziu um set atmosférico que contrastava com o clima mais bélico e explosivo do Sabaton. Lacrimosa trouxe uma performance única, repleta de melodias melancólicas e imersivas, que realmente capturaram a atenção da plateia. Ao mesmo tempo, o Sabaton fez um show impressionante de power metal com letras de guerra e performance enérgica, sendo mais uma escolha difícil entre duas grandes bandas.
Outro destaque absoluto do sábado foi o Powerwolf, que trouxe uma produção impressionante, com pirotecnia, iluminação precisa e performance teatral. Attila Dorn dominou o palco com sua voz poderosa e postura messiânica, enquanto o restante da banda parecia incansável. O público respondeu à altura, formando um verdadeiro coral em faixas como “Resurrection by Erection” e “We Drink Your Blood”. Foi um dos momentos mais vibrantes de todo o festival. Já o Dark Angel, ícone do thrash californiano, mostrou força bruta e precisão. Gene Hoglan comandou a bateria como um monstro técnico, enquanto a banda despejava riffs velozes e vocais raivosos que agitaram os bangers mais old school.
O domingo veio para fechar com chave de ouro. Avantasia, com seu elenco rotativo de vocalistas e carisma de Tobias Sammet, apresentou um show grandioso e emotivo, celebrando 25 anos de trajetória e o novo álbum Here Be Dragons. Porém, por conta do Destruction tocando ao mesmo tempo, precisei dividir a atenção entre os dois shows e acabei não vendo a apresentação completa do Avantasia. Ainda assim, os trechos que assisti foram grandiosos, com vocalistas convidados se alternando e criando momentos emocionantes. O Destruction, por outro lado, arrasou tudo com seu thrash agressivo e direto, mantendo a tradição germânica viva com precisão e brutalidade.
Kerry King, agora em voo solo, foi outro nome que surpreendeu. Com faixas inéditas misturadas a clássicos do Slayer como “Raining Blood” e “Disciple”, o guitarrista mostrou que ainda tem muito fogo nas mãos. Sua nova banda soou afiada, brutal e reverente à velha escola. W.A.S.P., por sua vez, brilhou ao tocar seu disco de estreia na íntegra, com Blackie Lawless dominando o palco com sua presença imponente e uma banda coesa, entregando clássicos como “I Wanna Be Somebody” com energia renovada.
Paradise Lost mergulhou o público numa atmosfera soturna e densa, com faixas como “Beneath Broken Earth” e “Faith Divides Us – Death Unites Us”. Nick Holmes, com sua voz cavernosa, trouxe uma dose de introspecção sombria que contrastava com o calor do dia. Haken representou o prog metal com técnica absurda e músicas complexas, cativando um público atento. Vader, com sua fúria death/thrash, também foi um dos destaques extremos, enquanto o Lord of the Lost entregou um show visualmente marcante e teatral.
Infelizmente, o tempo e os horários simultâneos impediram que eu assistisse ao show do Nile — pois preferi assistir, ao Blind Guardian, que fez um set mais morno com músicas mais recentes, porém com uma qualidade impecável.
Com tantos palcos ativos, o festival exigia escolhas difíceis. Ainda assim, a organização foi exemplar, com som potente, banheiros limpos, áreas de descanso e sinalização eficiente. A equipe técnica garantiu que os atrasos fossem mínimos e que o som soasse alto e claro em todos os pontos do evento.
O Bangers Open Air não foi apenas um desfile de bandas; foi uma celebração da cultura metal. Uma experiência que uniu gerações, estilos e países diferentes em torno de uma mesma paixão. A sequência da sexta-feira, sábado e domingo foi épica, dando aos fãs a certeza de que estão vivendo uma era de ouro para os grandes festivais de metal no Brasil
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Tags: Bangers Open Air
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