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HELLSINKI METAL FESTIVAL 2026: SEXTA-FEIRA, 7 DE AGOSTO
Postado em 17/08/2026


Fotos e texto por Sigryd Bagon

No dia 7 de agosto de 2026 aconteceu a quarta edição do Hellsinki Metal Festival, em Helsinque, na Finlândia. O evento é realizado no Nordis, ou Helsingin Jäähalli, arena de hockey que fica na capital do país nórdico. Apesar da previsão do tempo assustar nos dias anteriores mostrando possibilidade de chuva, o tempo foi muito amigável com o público e se manteve firme. Entre os três palcos do festival se revezaram grandes nomes do metal e você pode conferir um pouco de cada a seguir.

Peço licença a você que já está acostumado com as minhas resenhas, para escrever em primeira pessoa dessa vez. Conversando com algumas pessoas que costumam ler resenhas de festivais, chegamos a conclusão que depois de 20 anos era hora de tentar algo novo (risos). Então, espero que vocês gostem desse novo formato (que é apenas um experimento).

Na manhã da sexta-feira, eu estive no WTF – Capital Of Metal, conferência direcionada aos profissionais da indústria musical focada em heavy metal. Esse era o segundo e último dia do evento, e fomos conhecer um complexo de bares e restaurantes com alguns palcos na região de Vallila. Após o tour pelos estabelecimentos do complexo, assistimos um bate-papo com profissionais da área e então seguimos juntos ao Hellsinki Metal Festival.

A primeira banda do dia foi a finlandesa Horizon Ignited no palco 02. Oriunda de Kouvola, eles fazem um Death Metal Melódico com influência de Metalcore e a apresentação ao vivo é incrível. Não me lembro ao certo como descobri a banda, mas me lembro de ser uma daquelas gratas surpresas, onde uma pessoa apaixonadas por música ao vivo, como eu, já vai em busca da agenda de shows. A faixa que me encontrou foi “Beneath The Dark Waters” e ela estava no setlist para minha alegria e de quem chegou cedo para assistir a abertura do festival.

Em seguida, foi a vez do Unleashed. Eu já ouvi falar deles muitas vezes, mas confesso que nunca fui buscar a fundo sobre a banda. Os suecos do “Viking Death Metal”, como eles mesmos se definem, fizeram um show pesado e bem interessante, fruto de uma longa jornada de mais de 30 anos em prol do metal.

Após uma pausa “forçada”,  onde infelizmente não vi Omnium Gatherum e WormWood, voltei ao pit para ver um death metal mais cru, muito bem executado pelo Carcass. Eu já tinha visto a banda em outras duas oportunidades e a segunda foi no primeiro semestre de 2026, em uma tour junto ao Kreator, Exodus e Nails. Na minha percepção, o show do HMF foi mais enérgico e mais empolgante, com faixas como “Buried Dreams”, “Heartwork” e “Genital Grinder” no setlist.

Antes de ir para a próxima banda, fiz a pausa para o almoço e eu gosto muito da variedade oferecida no festival. Escolhi kebab dessa vez e não me arrependi, porque veio uma quantidade bem generosa de comida, que me sustentou bem até o final do festival. O prato vem acompanhado de salada com molho e batata frita. Ano que vem preciso me lembrar de tirar fotos para ilustrar a matéria e ficar como sugestão para quando vierem ao festival.

Calorias repostas, hora de voltar ao palco 02 para ver o Ikinä. A banda me chamou atenção através de um cover da música “Lautturi”, originalmente do grupo PMMP e então fui buscar mais a respeito. A banda tem duas vocalistas mulheres, Katariina Sorsa e Tuuli Paju, e abriram esse show em conjunto com o Choir Of Hecate, um coral feminino que surgiu para se apresentar com elas e conta com grandes vozes, entre elas: Heidi Aaltonen, Jessie Salmi, Helena Haaparanta, Suvimarja Halmetoja, Katri Asikainen, Kaisu Kärri, Ina Mikkola, Sini Seppälä, Suvi Uura, Micha, Jenna Kosunen Sara Strömmer. Não pude deixar de admirar a energia das vocalistas grávidas que se apresentarem e eu só me perguntava “Como?” (risos). 

Em seguida, o palco 01 recebeu o Bloodbath. Originalmente formado na Suécia e com vários músicos famosos na linha do tempo da banda, a versão que se apresentou no HMF 2026 foi Anders Nyström (ex-Katatonia), Martin “Axe” Axenrot (ex-Opeth) e Nick Holmes (Paradise Lost). O setlist contou com faixas como “So You Die”, “Cancer Of The Soul”, “Eaten” e “Breeding Death”. Como fã de Paradise Lost e espectadora de primeira viagem do Bloodbath, eu estava bem curiosa para ver a banda ao vivo, mas com uma formação dessas não tem como não ser ótimo, não é?!

De volta ao palco 02, era hora da figurinha repetida, a Blackbraid. A banda tocou no festival em 2024 e estava de volta em 2026. Falar que a banda tocou no festival de novo me soa mais como um elogio do que uma reclamação, já que provavelmente não repetiriam caso não tivesse sido realmente bom. Eu estava lá e posso garantir que foi impressionante e claro, esse ano não foi diferente. O projeto de black metal é formado apenas por Sgah’gahsowáh e músicos de apoio.  

Em seguida, voltei ao palco 01 para pegar um bom lugar para fotografar o Black Label Society. Sem sombra de dúvidas o pit estaria cheio, então precisava garantir um bom lugar. Reconheço a grandeza do BLS, mas não é uma banda que está nas minhas playlists favoritas. Mesmo assim um sentimento muito bom tomou conta de mim ao sair dali após a terceira música. Eu não tive a oportunidade de ver muitas lendas do rock, inclusive o Ozzy, com quem Zakk Wylde (frontman do BLS) tocou por cerca de 20 anos, então quando eles tocaram “No More Tears” em homenagem ao príncipe das trevas, foi realmente emocionante. Além desse cover, o BLS também tocou “Funeral Bell”, “Suicide Messiah” e “Stillborn”.

Hora de ir ao palco 03 pela primeira vez nessa edição. Uma das bandas mais comentadas estava prestes a subir ao palco e eu também estava ansiosa pela apresentação deles. A banda chilena Mawiza traz suas raízes mapuches para o groove metal, não só na caracterização e instrumentos, mas também em suas letras cantadas em mapudungún. A entrada foi triunfante! Os músicos com suas máscaras e instrumentos indígenas e o vocalista fazendo um ato de benzimento no palco, com folhas e água, deixou o público hipnotizado. Algumas fileiras atrás da grade se via uma bandeira colorida, do povo mapuche, sendo erguida com orgulho. Pelo terceiro ano consecutivo eu marco presença na audiência das bandas chilenas que se apresentam no festival. Ver um país sul-americano tendo essa visibilidade em um festival no norte da Europa é bonito demais! Por três edições as bandas chilenas estão presentes representando o Chile e a América do Sul!

A apresentacao do Mawiza estava tão envolvente que não me dei conta que o Accept já estava para entrar no palco e encerrar a primeira noite de festival do palco 01. Saí literalmente correndo para não perder a oportunidade de fotografa-los e felizmente cheguei a tempo. Uma comemoração de 50 anos de banda é para poucos! Não foi fácil fazer o trabalho, já que todos os fotógrafos estavam no pit ao mesmo tempo e o palco principal é muito alto. Estava uma loucura e nessa hora infelizmente a gente esbarra no desrespeito de alguns colegas e é preciso foco e paciência para lidar com a situação. Perrengues a parte, o show foi muito bom, condizente com uma banda histórica como o Accept. As pessoas com quem conversei, gostaram muito do show também. É incrível ver uma banda dando tudo de si mesmo após 50 anos de carreira e acho que é exatamente essa a magia que encanta o fã de metal, a entrega e a paixão em comum pelo estilo. “Teutonic Terror”, “Princess Of The Dawn”, “Balls To The Walls” foram parte do repertório que se encerrou com “I’m a Rebel”.

Ainda havia uma última banda para tocar e encerrar o palco 03, o Carpenter Brut, mas eu realmente precisava renovar as forças para o dia seguinte e então fui para casa (já que o trabalho do fotógrafo continua em casa).

O primeiro dia de Hellsinki Metal Festival foi muito positivo: grandes bandas, boa aderência do público e sem chuva (muito importante!). Apesar de estar apenas em sua quarta edição, ele já se tornou um festival no calendário dos fãs de metal na Finlândia e mochileiros do verão europeu em busca de bons festivais pelo continente. Confira como foi o segundo dia AQUI.

 

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