Opeth voltou a Sydney e, mais uma vez, escolheu nada menos que o Sydney Opera House para provar que o metal progressivo pode soar tão grandioso quanto uma orquestra sinfônica. Em uma noite esgotada, Mikael Åkerfeldt e companhia mostraram por que continuam sendo uma das bandas mais respeitadas do gênero: técnica absurda, performance impecável e uma viagem musical que oscilou entre brutalidade e beleza.
O show começou com o Caligula’s Horse, e eles entregaram um set curto, mas muito bom. Dream the Dead abriu bem, Marigold foi o ponto alto, e Mute fechou com bastante energia. Eles aqueceram a plateia do jeito certo.

Caligula’s Horse no Opera House / Foto: Thiago Matos
Quando Opeth chegou, abriu com o enigmático “§1”, um prelúdio atmosférico que estabeleceu imediatamente o clima da noite: denso, misterioso, ritualístico. Sem cerimônias, partiram direto para a pancada com “Master’s Apprentices”, uma das faixas mais pesadas e caóticas da era Deliverance. Ali já estava claro que o público não veria um show apenas acústico ou contemplativo, seria um mergulho profundo na dualidade típica do Opeth.

“The Leper Affinity”, sempre um marco ao vivo, trouxe o primeiro momento verdadeiramente avassalador. A execução foi cirúrgica, com a banda soando mais coesa do que nunca. Na sequência, a continuação da nova fase veio com “§7”, mais um trecho instrumental sinuoso e carregado de tensão.
A partir daí, o set fluiu entre eras:
“The Devil’s Orchard” trouxe a atmosfera sombria e elegante de Heritage;
“In My Time of Need” arrancou suspiros e celulares erguidos, o Opera House parecia suspenso no ar;
“The Grand Conjuration” reacendeu o peso, com a bateria retumbando como se a sala inteira estivesse respirando junto com a banda.
Outro destaque foi “§3”, mantendo a linha dos interlúdios instrumentais misteriosos que entrelaçam o show como capítulos de uma peça de teatro progressivo. E então veio aquele momento: “Demon of the Fall”, sempre explosiva, sempre catártica. A plateia foi ao delírio.
O encerramento do set principal ficou por conta de “Ghost of Perdition”, que soou gigantesca na acústica cristalina da sala. É daquelas faixas que mostram o DNA completo do Opeth em 10 minutos: peso, melodia, caos e lirismo.
Para o encore, Åkerfeldt, sempre com seu humor particular, conduziu uma pequena homenagem caótica: “You Suffer”, do Napalm Death, mas não sem antes brincar com trechos de “The Night and the Silent Water”, “Hope Leaves” e “Windowpane”, como se estivesse folheando páginas soltas da discografia antiga para provocar os fãs.
E então, o fechamento inevitável, arrebatador e esperado: “Deliverance”. O riff final, repetido como um mantra, ecoou pelo Opera House como um feitiço contínuo: pesadíssimo, preciso e hipnotizante. Foi o tipo de final que não deixa espaço para dúvidas: Opeth não apenas executou um show; construiu uma experiência.
Opeth no Opera House é mais do que um show, é um acontecimento
Ver Opeth em qualquer lugar já é especial. Mas ver Opeth na Opera House é como assistir a um eclipse musical: raro, sofisticado e surpreendentemente espiritual. A acústica perfeita destacou cada detalhe, das camadas de guitarra até os sussurros vocais, enquanto o peso preenchia a sala sem jamais soar excessivo.
O resultado?
Um dos shows mais memoráveis da banda em solo australiano.
Uma noite em que o metal encntrou a alta cultura, e venceu.
Veja abaixo algumas fotos do show:

Opeth no Opera House / Foto: Thiago Matos

Opeth no Opera House / Foto por Thiago Matos.

Opeth no Opera House / Foto: Thiago Matos
Categoria/Category: Review de Shows
Tags: australia • Caligula's Horse • Opera House • Opeth • Show • Sydney
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