{"id":10120,"date":"2012-08-10T17:18:43","date_gmt":"2012-08-10T20:18:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ailhadometal.com\/?p=10120"},"modified":"2012-08-10T17:18:43","modified_gmt":"2012-08-10T20:18:43","slug":"19-anos-atras-euronymous-era-assassinado-por-varg-vikernes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilhadometal.com.br\/manowar\/19-anos-atras-euronymous-era-assassinado-por-varg-vikernes\/","title":{"rendered":"19 anos atr\u00e1s Euronymous era assassinado por Varg Vikernes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.ailhadometal.com\/blog\/19-anos-atras-euronymous-era-assassinado-por-varg-vikernes\/attachment\/euronymous-e-varg\/\" rel=\"attachment wp-att-10121\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10121 aligncenter\" title=\"Euronymous e Varg\" src=\"http:\/\/imagens.ailhadometal.com\/2012\/08\/Euronymous-e-Varg.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"505\" \/><\/a><\/p>\n<p>19 anos atr\u00e1s acontecia um fato que marcou para sempre a hist\u00f3ria do metal. Euronymous, guitarrista do Mayhen, foi assassinado com 23 facadas por Varg Vikernes. Em 2004 Varg publicou no site do Burzum a biografia redigida por ele mesmo, no trecho abaixo ele conta os fatos que o levaram ao assassinato de Euronymous.<\/p>\n<p>Traduzido por C\u00e9sar En\u00e9as Guerreiro, publicado originalmente no Whiplash.net (link para todas as partes no final da p\u00e1gina).<\/p>\n<p><strong>A morte de Euronymous<\/strong><\/p>\n<p>De certa forma, tem sido interessante ver como algumas pessoas sentem a necessidade de criar hist\u00f3rias sobre o motivo pelo qual eu acabei matando Euronymous. Mas \u00e9 triste ver que essas pessoas criam hist\u00f3rias somente porque a verdade \u00e9 inconveniente para elas.<\/p>\n<p>Em 1991 a maior parte dos m\u00fasicos de metal da Noruega acreditava que Euronymous era um cara legal, mas no segundo semestre de 1992 a maior parte de n\u00f3s percebeu que ele n\u00e3o era assim. Quando a DSP (Deathlike Silence Productions), sua gravadora, lan\u00e7ou o \u00e1lbum de estr\u00e9ia do Burzum em mar\u00e7o de 1992, ele teve que fazer um empr\u00e9stimo para poder pag\u00e1-lo. Ele n\u00e3o tinha dinheiro para isso, ent\u00e3o ele tomou emprestado de mim. Quando vendeu todos os \u00e1lbuns do Burzum ele pagou suas contas particulares ao inv\u00e9s de prensar mais c\u00f3pias \u2013 ou devolver o dinheiro que me devia (e, a prop\u00f3sito, eu tamb\u00e9m nunca vi o dinheiro dos royalties). Ent\u00e3o depois de vender tudo ele n\u00e3o tinha dinheiro para prensar mais c\u00f3pias. Essa \u00e9 provavelmente a raz\u00e3o que levou muitos a acreditarem que eu o matei por dinheiro, mas certamente eu n\u00e3o conseguiria meu dinheiro de volta matando ele. Quebrar as suas pernas poderia ter funcionado, mas mat\u00e1-lo n\u00e3o. Eu sempre posso ganhar mais dinheiro se quiser, mas eu nunca invisto mais do que aquilo que posso perder. Tenho uma rela\u00e7\u00e3o bem tranq\u00fcila com o dinheiro, ent\u00e3o esse rumor \u00e9 simplesmente est\u00fapido, mesmo porque estamos falando de apenas umas 36.000 coroas norueguesas (por volta de 5.100 d\u00f3lares, equivalente a um sal\u00e1rio mensal m\u00e9dio na Noruega).<\/p>\n<p>Eu ag\u00fcentei as conseq\u00fc\u00eancias de sua incompet\u00eancia e estupidez e fundei meu pr\u00f3prio selo, chamado Burznazg (que, na L\u00edngua Negra de Tolkien, significa \u201cAnel Negro\u201d) e que depois (no final de 1992) foi mudado para Cymophane (em grego: \u201cAcenar para aparecer\u201d, o nome de uma pedra que tem a forma de um olho) e decidi fazer tudo sozinho. Eu n\u00e3o precisava dele. Tudo o que ele fez foi sentar sua bunda gorda em sua loja, beber Coca Cola e comer kebab [N.: espetos de carne estilo \u00e1rabe]. Sua loja estava indo por \u00e1gua abaixo e era apenas uma quest\u00e3o de tempo antes dele (e portanto da DSP) ir \u00e0 fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas ainda n\u00e3o t\u00ednhamos cortado rela\u00e7\u00f5es com ele, n\u00e3o completamente, e, como \u00faltima tentativa de manter sua loja funcionando, concordamos que eu deveria dar uma entrevista a um jornal para atrair alguma aten\u00e7\u00e3o para o metal. Ele n\u00e3o tinha mais \u00e1lbuns do Burzum, mas ainda tinha outros \u00e1lbuns para vender em sua loja. Quando eu dei a entrevista an\u00f4nima em janeiro de 1993 eu exagerei bastante e, quando o jornalista foi embora, n\u00f3s \u2013 uma garota e eu \u2013 demos umas boas risadas, porque ele n\u00e3o pareceu ter entendido que eu estava zoando com ele. Ele levou tudo muito a s\u00e9rio. Infelizmente, ele procurou a pol\u00edcia no dia seguinte (19), fui preso e, no dia 20, seu jornal publicou a sua vers\u00e3o do que eu tinha dito, e isso enquanto eu estava encarcerado e incapaz de dizer a algu\u00e9m que aquilo era somente um monte de asneiras que eu tinha dito para atrair algum interesse para um certo g\u00eanero musical \u2013 e para ajudar Euronymous a ganhar alguns fregueses e alguns trocados.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a parte interessante foi que, quando eu estava preso, Euronymous fechou a loja, ao inv\u00e9s de tirar proveito da situa\u00e7\u00e3o, porque seus pais acharam que a aten\u00e7\u00e3o era inconveniente demais! Ent\u00e3o o \u201cmaligno\u201d her\u00f3i do Black Metal fez o que sua m\u00e3e e seu pai mandaram! Sim, realmente pat\u00e9tico mas, agindo assim, ele tamb\u00e9m fez com que todos os meus esfor\u00e7os fossem em v\u00e3o. Eu passei seis semanas preso por causa disso e tudo o que ele fez foi fechar a loja! Choveram fregueses, que encontraram a loja fechada! Isso n\u00e3o \u00e9 est\u00fapido?!<br \/>\nQuando eu sa\u00ed da pris\u00e3o eu estava bastante desiludido por tudo o que tinha acontecido na m\u00eddia e a pol\u00edcia bagun\u00e7ou tanto a minha vida quando fez a batida em meu apartamento que foi dif\u00edcil levar a Cymophane pra frente do jeito que eu tinha planejado. Enquanto isso, a DSP assinou (provavelmente devido ao alvoro\u00e7o da m\u00eddia) um contrato de distribui\u00e7\u00e3o com uma empresa de Oslo [N.: capital da Noruega] e conseguiu voltar a prensar e vender seus \u00e1lbuns.<\/p>\n<p>Euronymous agiu como um completo imbecil ao fechar a loja, e a maior parte de n\u00f3s concordou que ele era um grande bund\u00e3o e um idiota. Eu estava furioso por ele n\u00e3o ter tirado proveito da situa\u00e7\u00e3o, que foi o que me levou a dar aquela entrevista idiota, e n\u00e3o queria mais nada com ele. N\u00e3o dava pra fazer neg\u00f3cios com ele. Ao inv\u00e9s disso, consegui um contrato com uma empresa de distribui\u00e7\u00e3o em Oslo para a Cymophane, e continuei sozinho.<\/p>\n<p>Para mim ele nem existia mais. Quando ele me telefonou para me perguntar se eles, os caras do Mayhem, poderiam ficar em minha casa enquanto estivessem nos est\u00fadios Grieghallen para terminar o \u00e1lbum do Mayhem, eu disse n\u00e3o. E ningu\u00e9m mais em Bergen queria dar a eles um lugar para ficarem, ent\u00e3o eles precisaram alugar um quarto em um motel. Ningu\u00e9m tinha nada contra Hellhammer, o \u00fanico outro membro do Mayhem na \u00e9poca, mas n\u00f3s simplesmente n\u00e3o quer\u00edamos nos envolver com Euronymous. Eu sempre tive um bom relacionamento com Hellhammer, e ele tamb\u00e9m n\u00e3o estava muito impressionado com Euronymous, por assim dizer. Em 1992, quando gravamos &#8220;De Mysteriis Dom Sathanas&#8221;, ele at\u00e9 brincou dizendo que dever\u00edamos matar o cara!<\/p>\n<p>Por alguns meses esse sentimento de desprezo por Euronymous espalhou-se pela cena do metal, j\u00e1 que cada vez mais pessoas percebiam o quanto ele era idiota, e ele me culpava por tudo isso, ent\u00e3o come\u00e7ou a me odiar. Ele acreditava que o fato das pessoas terem perdido o respeito por ele era culpa minha. De certa forma ele estava certo, j\u00e1 que eu n\u00e3o mantinha minhas opini\u00f5es em segredo, mas acredito que ele fez isso para si mesmo. Ele simplesmente se revelou atrav\u00e9s da maneira pela qual reagiu aos problemas. Ele se fez de tolo. Al\u00e9m disso, quando a m\u00eddia publicou todas aquelas asneiras sobre mim, ele se sentiu menos importante. De repente ele n\u00e3o era mais o \u201cpersonagem principal\u201d da cena metal hardcore. Ele acreditava que isso tamb\u00e9m era minha culpa. Essa foi provavelmente a raz\u00e3o pela qual as pessoas alegaram que o assassinato foi o resultado de uma luta pelo poder entre duas figuras importantes da cena, mas a verdade \u00e9 que isso era importante apenas para ele. Eu n\u00e3o dava a m\u00ednima pra isso. Eu nem mesmo me relacionava com tanta gente ligada ao metal assim e, quando sa\u00eda, preferia ir a festas house e a um clube techno underground em Bergen chamado &#8220;F\u00f8niks&#8221; (F\u00eanix), enquanto a maioria dos caras do metal ia a algum local de rock&#8217;n&#8217;roll. Na verdade, eu ia ao clube techno para fugir de todo aquele pessoal novo do metal, porque eu n\u00e3o gostava da aten\u00e7\u00e3o que recebia deles. Eu preferia a aten\u00e7\u00e3o das garotas, por assim dizer.<br \/>\nAlgum tempo depois o Mayhem chamou um novo guitarrista, Snorre W. Ruch of Thorns, de Trondheim, e quando ele se mudou para Bergen eu o deixei dormir em uma cama para h\u00f3spedes na sala de meu apartamento at\u00e9 que ele conseguisse o seu pr\u00f3prio. Nesse momento Euronymous come\u00e7ou a conspirar contra minha vida. Ele queria me matar. Para ele eu era o problema, ent\u00e3o me matando ele acreditava que o problema desapareceria.<\/p>\n<p>Mas o problema era que ele incluiu algumas pessoas ligadas ao metal em sua conspira\u00e7\u00e3o para me matar, e eles me contaram. Ele disse que contou a eles porque ele confiava neles mas, obviamente, eles gostavam mais de mim do que dele, podemos dizer assim. Certo dia ele telefonou para Snorre, que vivia em meu apartamento, e Snorre me deixou ouvir o que Euronymous tinha a dizer. Ele disse a Snorre que &#8220;Varg precisa desaparecer de uma vez por todas&#8221; e coisas desse tipo, confirmando os planos que outros me contaram antes.<br \/>\nMuitos alegaram que eu exagerei em minha rea\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque Euronymous era um bund\u00e3o mesmo, e ele n\u00e3o teria coragem nem para tentar me matar. Claro, ele era um bund\u00e3o, mas daquela vez ele n\u00e3o contou seus planos para todo mundo, como ele costumava fazer. Mas eu levei aquilo a s\u00e9rio porque ele contou somente para algumas pessoas em quem confiava, seus amigos mais pr\u00f3ximos \u2013 ou aqueles que ele acreditava que eram seus amigos mais pr\u00f3ximos. Al\u00e9m disso, em agosto de 1993 ele estava prestes a ser preso por quatro meses, depois de ser condenado por ferir duas pessoas com uma garrafa quebrada, porque eles tinham \u201colhado para sua namorada\u201d em um ponto de \u00f4nibus. Ele n\u00e3o era um cara muito simp\u00e1tico e, quando ele sentia que estava sendo posto contra a parede, ele era bem capaz de executar seus planos. Quando sentem muito medo, mesmo os maiores covardes tornam-se perigosos.<\/p>\n<p>No mesmo dia em que ele contou a Snorre sobre suas inten\u00e7\u00f5es de me matar (e, indiretamente me contou, j\u00e1 que eu estava ouvindo a conversa), eu recebi uma carta dele, na qual ele fingia estar sendo bem amig\u00e1vel e dizia que queria me encontrar para discutir um contrato que eu n\u00e3o tinha assinado ainda. Essa era a \u00fanica desculpa que ele tinha para me encontrar e parecia que ele estava armando uma pra cima de mim. De acordo com seus \u201camigos\u201d, o plano era me encontrar, me nocautear com uma arma de choque, me amarrar e me colocar no porta-malas de um carro. Depois ele dirigiria at\u00e9 uma floresta, me amarraria a uma \u00e1rvore e me torturaria at\u00e9 a morte enquanto gravaria tudo em v\u00eddeo.<\/p>\n<p>Minha rea\u00e7\u00e3o foi, naturalmente, raiva. Quem diabos ele pensava que era? No mesmo dia decidi ir de carro at\u00e9 Oslo, dar a ele o contrato assinado e simplesmente dizer a ele \u201cf*da-se\u201d e, ao fazer isso, eliminar todas as desculpas que ele tivesse para me contatar de novo. Mas tenho que admitir que n\u00e3o deixei de considerar a possibilidade de dar umas porradas nele. Pouco antes de sair Snorre me disse que queria ir junto, porque ele tinha alguns novos riffs de guitarra para mostrar a ele. Eu pretendia continuar at\u00e9 Sarpsborg com um lote de camisetas do Burzum (para o Metallion da revista &#8220;Slayer&#8221; pelo que me lembro) e apenas deixar Snorre em Oslo com Euronymous. A prop\u00f3sito, o estranho (e desleal) Snorre n\u00e3o parecia ter problema algum em ser amigo de n\u00f3s dois, como uma pessoa normal (de bom car\u00e1ter) teria.<br \/>\nDeixamos Bergen por volta das 21:00 e chegamos a Oslo entre 03:00 e 04:00 (n\u00e3o me lembro exatamente, j\u00e1 que isso aconteceu h\u00e1 mais de onze anos). N\u00f3s nos revezamos na dire\u00e7\u00e3o e, quando chegamos, eu estava dormindo no banco de tr\u00e1s. Por causa disso eu tinha tirado meu cinto e, quando paramos, eu passei o cinto para ele e pedi para coloc\u00e1-lo em um lugar seguro. Eu tinha guardado uma faca no cinto e ficar dirigindo com uma faca no banco de tr\u00e1s n\u00e3o \u00e9 muito seguro.<\/p>\n<p>Chegamos ent\u00e3o \u00e0 porta de frente do pr\u00e9dio e toquei a campainha. Ele estava dormindo. Voc\u00ea poderia pensar que visitar pessoas no meio da noite \u00e9 um pouco estranho, mas era perfeitamente normal para n\u00f3s. Muitas pessoas na cena metal eram \u201ccriaturas noturnas\u201d, por assim dizer. Ele perguntou quem era, e eu disse meu nome. \u201cEstou dormindo. N\u00e3o d\u00e1 pra Voc\u00ea voltar mais tarde?\u201d, disse ele. \u201cEu trouxe o contrato. Me deixe entrar\u201d, eu disse e entrei rapidamente. Seu flat era no quinto (ou quarto?) andar e comecei a subir as escadas. Snorre queria fumar um cigarro e, como o fumo era proibido no apartamento de Euronymous (e no meu carro), ele ficou no t\u00e9rreo fumando.<\/p>\n<p>Euronymous estava esperando por mim na entrada, parecendo muito agitado, e entreguei o contrato a ele. Devo acrescentar que ele estava, obviamente, bem nervoso. O cara que ele planejava matar tinha aparecido em sua porta no meio da noite. Ent\u00e3o perguntei a ele que po**a ele queria e, quando dei um passo \u00e0 frente, ele entrou em p\u00e2nico. Ele ficou hist\u00e9rico e me atacou com um chute no peito. Eu simplesmente o joguei na porta e fiquei um pouco atordoado. Eu n\u00e3o estava atordoado pelo seu chute, mas pelo fato dele ter me atacado. Eu n\u00e3o esperava aquilo. N\u00e3o em seu apartamento e n\u00e3o daquela maneira. Ele tinha come\u00e7ado a treinar \u201ckick boxing\u201d havia pouco tempo e, como todos os iniciantes, achou que tinha se tornado um \u201cBruce Lee\u201d da noite pro dia.<\/p>\n<p>Alguns segundos depois ele se levantou do ch\u00e3o com um pulo e correu pra cozinha. Eu sabia que ele tinha uma faca na mesa da cozinha e pensei \u201cse ele vai pegar uma faca, eu tamb\u00e9m vou pegar uma faca\u201d. A minha faca de cinto estava no carro, porque estava no cinto que eu tinha deixado l\u00e1, mas eu tinha um canivete, ou melhor, uma faca de bota (com uma l\u00e2mina de 8 cm) em meu bolso. Eu pulei na frente dele e consegui par\u00e1-lo antes que pusesse suas m\u00e3os na faca de cozinha. Nesse momento ele j\u00e1 tinha mostrado suas inten\u00e7\u00f5es ent\u00e3o, quando ele correu pro quarto, eu percebi que ele queria pegar outra arma. Algumas semanas antes ele tinha dito a algumas pessoas que em breve a pol\u00edcia devolveria para ele a espingarda (a usada por \u201cDead\u201d quando ele se matou), ent\u00e3o eu percebi que era isso o que ele estava tentando: pegar a sua espingarda (embora ele, na verdade, n\u00e3o tivesse uma arma de choques ou uma espingarda em seu apartamento, eu n\u00e3o sabia). Eu corri atr\u00e1s dele, o esfaqueei e fiquei um pouco surpreso quando ele saiu correndo do apartamento. N\u00e3o fez nenhum sentido ele ter fugido e o que me deixou zangado foi saber que ele tinha come\u00e7ado a briga mas, no momento em que ele se deu mal ele decidiu fugir, ao inv\u00e9s de lutar como um homem. Isso \u00e9 algo que sempre detestei.<\/p>\n<p>(Algumas pessoas alegaram que eu assassinei um homem indefeso e desarmado mas, em primeiro lugar, ele tentou pegar uma faca antes de mim e certamente ele poderia ter se armado se tivesse escolhido ficar, ao inv\u00e9s de fugir como um covarde. Havia v\u00e1rias outras coisas em seu apartamento que ele poderia ter usado para se defender quando ele n\u00e3o conseguiu pegar sua faca de cozinha).<br \/>\nDo lado de fora encontramos Snorre, que tinha terminado seu cigarro. Todas as portas pareciam iguais e Snorre era um cara bem distra\u00eddo, ent\u00e3o ele acabou subindo at\u00e9 o s\u00f3t\u00e3o, um andar acima, por engano. Confuso, ele desceu e usou seu isqueiro para iluminar o n\u00famero da porta, tentando ler para saber se era o apartamento certo. Enquanto ele estava tentando ler o n\u00famero da porta, Euronymous saiu correndo de cueca, sangrando e gritando como um louco. Snorre ficou t\u00e3o surpreso e aterrorizado que ficou parecendo um fantasma, e pareceu que seus olhos estavam prestes a saltar. De acordo com Snorre, ele ficou t\u00e3o surpreso e chocado que apagou e n\u00e3o se lembrou de nada at\u00e9 que momentos depois eu perguntei se ele estava bem.<\/p>\n<p>Euronymous desceu um lance de escadas e parou para tocar a campainha do vizinho. Ele percebeu rapidamente que eu o estava seguindo, ent\u00e3o ele continuou a fugir escada abaixo, batendo nas portas e tentando tocar as campainhas dos vizinhos conforme ia passando por elas, gritando por ajuda. Eu esfaqueei (tr\u00eas ou quatro vezes) o seu ombro esquerdo enquanto ele corria, j\u00e1 que essa era a \u00fanica parte que eu podia atingir enquanto est\u00e1vamos correndo. Ele ent\u00e3o trope\u00e7ou e quebrou uma l\u00e2mpada na parede, provavelmente com sua cabe\u00e7a ou bra\u00e7o, e caiu sobre os fragmentos de vidro \u2013 de cuecas. Correndo, passei por ele e esperei. Snorre ainda estava no andar de cima e eu n\u00e3o tinha id\u00e9ia de como ele reagiria a tudo isso. Seria tudo uma armadilha e ele estaria participando? Ele poderia me atacar tamb\u00e9m? Eu n\u00e3o sabia. Quando Snorre veio correndo ele pareceu bem assustado e eu apenas deixei ele passar direto por mim. A\u00ed eu percebi que ele n\u00e3o fazia parte daquilo, ent\u00e3o perguntei se ele estava bem (porque ele certamente n\u00e3o parecia bem). Nesse momento Euronymous ficou de p\u00e9 novamente. Ele pareceu conformado e disse: \u201cJ\u00e1 chega\u201d, mas ent\u00e3o ele tentou me chutar novamente e eu acabei com ele enfiando a faca em seu cr\u00e2nio, pela sua testa, e ele morreu instantaneamente. Seus olhos viraram e um gemido p\u00f4de ser ouvido enquanto seus pulm\u00f5es se esvaziavam depois que morreu. Ele caiu sentado, mas a faca estava enfiada em sua cabe\u00e7a, ent\u00e3o eu o segurei enquanto tentava tirar a faca. Quando puxei a faca de seu cr\u00e2nio ele caiu para frente e rolou por um lance de escadas como um saco de batatas \u2013 fazendo barulho suficiente para acordar toda a vizinhan\u00e7a (era uma escadaria barulhenta, de metal).<\/p>\n<p>Isso pode soar como uma maneira estranha de mat\u00e1-lo, mas minha faca era muito pequena e apenas pontuda. A l\u00e2mina n\u00e3o era afiada. Era t\u00e3o cega que eu n\u00e3o conseguiria cortar um tomate em dois sem esmag\u00e1-lo. A \u00fanica maneira de mat\u00e1-lo rapidamente com aquela faca seria perfurar seu cora\u00e7\u00e3o ou cr\u00e2nio. De fato, eu poderia ter sido capaz de mat\u00e1-lo muito mais f\u00e1cil e rapidamente se eu nem tivesse uma faca e, ao inv\u00e9s disso, tivesse batido nele at\u00e9 a morte. A \u00fanica raz\u00e3o que me fez sacar a faca foi porque ele estava tentando fazer isso e eu imaginei que seria justo se eu tamb\u00e9m tivesse uma faca, embora a que eu tinha n\u00e3o era muita coisa.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 havia mostrado sua inten\u00e7\u00e3o de me matar e, mesmo ele n\u00e3o sendo mais uma amea\u00e7a direta contra mim naquele local e naquele momento, eu n\u00e3o senti nenhum remorso por t\u00ea-lo matado. Sua covardia me deixou muito zangado e eu n\u00e3o vi nenhum motivo para deix\u00e1-lo viver, n\u00e3o quando ele j\u00e1 tinha demonstrado sua inten\u00e7\u00e3o de me matar. Se eu o tivesse deixado viver eu apenas teria dado a ele a oportunidade de atentar contra minha vida mais uma vez no futuro.<\/p>\n<p>Matar uma pessoa com uma faca cega de 8 cm \u00e9 algo bem sangrento mas, embora o sangue tenha espirrado sobre as paredes da escadaria conforme desc\u00edamos correndo, n\u00e3o havia sangue no meu rosto. De qualquer forma, Snorre tinha as chaves do carro ent\u00e3o eu corri para impedi-lo de sair com o carro, me deixando para tr\u00e1s em Oslo, encharcado de sangue. Eu peguei as chaves, abri a porta, devolvi as chaves para ele e disse para dirigir. Eu entrei rapidamente no saco de dormir que eu guardava no porta-malas, antes de entrar no carro, para ter certeza de n\u00e3o deixar nenhuma marca de sangue no carro. Naquele momento eu achei que era melhor tentar fugir. O que eu n\u00e3o sabia era que Snorre ainda estava em choque, ent\u00e3o ele apenas dirigiu a esmo em Oslo por 20 minutos e acabei tendo que assumir o volante. Enquanto dirig\u00edamos por Oslo, Snorre viu um agente policial na estrada para Bergen nos arredores de Oslo, ent\u00e3o tivemos que ir por outro caminho. Dirigimos para o norte na dire\u00e7\u00e3o de Trondheim e logo depois desviamos para oeste. Eu parei perto de um lago e tirei todas as minhas roupas. Eu amarrei pedras nelas e nadei at\u00e9 deix\u00e1-las afundar onde o lago era mais profundo. Por sorte, eu ainda tinha as camisetas que pretendia vender em Sarpsborg (como disse, para o Metallion, pelo que me lembro), e J\u00f8rn of Hades tinha esquecido um agasalho de moletom (ironicamente, um moletom do Kreator, com os dizeres &#8220;Pleasure To Kill&#8221; [N.: \u201cPrazer de Matar\u201d]), ent\u00e3o eu tamb\u00e9m tinha um moletom limpo (bem, n\u00e3o exatamente \u201climpo\u201d, mas pelo menos n\u00e3o estava encharcado de sangue). Finalmente, eu tinha uma cal\u00e7a muito, muito suja que estava jogada havia muito tempo no banco de tr\u00e1s, ent\u00e3o eu tinha um conjunto quase completo de roupas. Dirigir como um \u201csoldado\u201d e sem meias n\u00e3o seria um problema.<\/p>\n<p>(Snorre depois mostrou \u00e0 pol\u00edcia onde eu tinha jogado as roupas, mas tudo o que eles conseguiram achar foi uma camiseta com a figura de um viking e o texto: \u201cNoruega: Terra dos Vikings\u201d, que n\u00e3o tinha tra\u00e7os de sangue. Tudo o mais havia desaparecido e mesmo mergulhadores n\u00e3o conseguiram encontrar coisa alguma. Eles n\u00e3o tinham absolutamente prova nenhuma de que a camiseta pertencia a mim [e quem neste mundo esperaria que eu usasse uma camiseta com esse tema?]. As outras pe\u00e7as de roupa provavelmente tinham afundado na lama espessa do fundo do lago, como era de se esperar).<\/p>\n<p>Um amigo nosso ainda estava em meu apartamento. Quando decidi ir a Oslo est\u00e1vamos assistindo a alguns v\u00eddeos e comendo pizza e, quando sa\u00edmos, permiti que ele ficasse para terminar de assistir aos filmes e de comer. Naquele momento eu queria que ele sa\u00edsse do apartamento, no caso da pol\u00edcia j\u00e1 estar sabendo do que tinha acontecido. Paramos em H\u00f8nefoss perto de uma cabine telef\u00f4nica, apenas para dizer ao cara para sair de meu apartamento. A primeira cabine que vimos estava rodeada de adolescentes, e n\u00e3o quer\u00edamos que ningu\u00e9m nos visse no leste da Noruega naquele momento, ent\u00e3o continuamos andando at\u00e9 achar outra cabine telef\u00f4nica. Como eu estava dirigindo, Snorre saiu para telefonar, quando um carro da pol\u00edcia passou descendo a estrada. Aparentemente os adolescentes tinham arrebentado a cabine telef\u00f4nica antes de irem arrebentar a seguinte e algu\u00e9m chamou a pol\u00edcia. Quando o policial chegou e nos viu ele pensou que \u00e9ramos as pessoas que ele estava procurando (esse foi ou n\u00e3o foi um bom exemplo da \u201cLei de Murphy\u201d em a\u00e7\u00e3o?). O telefone estava quebrado e Snorre voltou pro carro. Eu dirigi, com a viatura a uns noventa metros atr\u00e1s de n\u00f3s, e percebi que, se ele nos parasse e simplesmente anotasse nossos nomes, seria imposs\u00edvel conseguir um \u00e1libi. Ent\u00e3o eu acelerei cada vez mais, com a viatura logo atr\u00e1s na mesma velocidade e, quando chegamos \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de trem em H\u00f8nefoss eu virei \u00e0 direita e dirigi como um completo maluco (pneus cantando, rodas patinando, saindo de traseira em cada curva e tudo o mais que se poderia esperar de uma fuga t\u00edpica de filme \u201cB\u201d). Eu estava dirigindo um VW Golf e est\u00e1vamos indo t\u00e3o r\u00e1pido que, antes que perceb\u00eassemos, est\u00e1vamos na auto-estrada para Bergen novamente \u2013 e t\u00ednhamos nos livrado da pol\u00edcia. Ele provavelmente nem tinha se preocupado em nos perseguir (ou, o que \u00e9 pouco prov\u00e1vel, n\u00e3o tinha conseguido nos acompanhar), j\u00e1 que uma investiga\u00e7\u00e3o posterior (feita pela pol\u00edcia) mostrou que ele nem mesmo relatou o incidente para seus superiores.<\/p>\n<p>Naquele momento eu achei que eles poderiam j\u00e1 estar nos procurando e, para o caso de j\u00e1 estarem, eu sugeri a Snorre que eu deveria deix\u00e1-lo em uma esta\u00e7\u00e3o de trem, num local chamado Gol, a caminho de Bergen. Se a pol\u00edcia me parasse eu estaria sozinho e ele n\u00e3o teria problemas. Ele recusou a oferta e voltamos para Bergen sem quaisquer incidentes. A primeira coisa que fiz foi visitar uma gr\u00e1fica para conseguir um \u00e1libi e depois fui me encontrar com o cara que havia ficado em meu apartamento, para dizer a ele que precis\u00e1vamos conversar, para tamb\u00e9m conseguir um \u00e1libi. Snorre j\u00e1 havia dito a ele pelo telefone que \u201calgo havia acontecido\u201d em Oslo, quando paramos em uma cabine telef\u00f4nica perto de Voss, algum tempo depois de termos sa\u00eddo de H\u00f8nefoss. Inventamos uma hist\u00f3ria e tudo parecia bem.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu pude finalmente ir pra casa e dormir um pouco. Depois de uns 20 minutos de sono, a campainha tocou e apareceu um jornalista que queria falar comigo sobre a morte de Euronymous, que j\u00e1 havia sido descoberta (por volta das 11:00) e eu disse a ele que eu estava muito cansado para conversar com ele. Afinal, eu j\u00e1 estava sem dormir havia bastante tempo (embora eu n\u00e3o tenha dito isso a ele&#8230;). No dia seguinte, lemos nas primeiras p\u00e1ginas que \u201cO \u2018Conde\u2019 [N.: de \u2018Count Grishnackh\u2019] est\u00e1 desconsolado! Ele ficou t\u00e3o triste ao ouvir as not\u00edcias sobre a morte de seu melhor amigo que ele nem conseguiu falar conosco sobre o assunto\u201d. Bastante ir\u00f4nico, Voc\u00ea n\u00e3o acha? Isso serve para mostrar como n\u00e3o d\u00e1 para confiar nas hist\u00f3rias contadas pela m\u00eddia!<\/p>\n<p>Algumas pessoas, por alguma raz\u00e3o bizarra, alegaram que eu matei Euronymous por causa de uma garota e, portanto, devo acrescentar que minha namorada da \u00e9poca (e de abril de 1993 at\u00e9 1998) nem sabia quem ele era. Ela nunca tinha ouvido falar dele at\u00e9 eu mat\u00e1-lo (e posso dizer que ela n\u00e3o era nem mesmo uma \u201cmetalhead\u201d, mas uma garota \u201ccomum\u201d que ouvia m\u00fasica pop). Ent\u00e3o ela, obviamente, n\u00e3o tinha nada a ver com tudo isso e eu com certeza n\u00e3o o matei por causa de uma garota. At\u00e9 onde eu sei Euronymous nunca teve uma namorada, ent\u00e3o essas pessoas que estavam espalhando esse boato idiota n\u00e3o poderiam estar falando de sua namorada.<\/p>\n<p>Mesmo as pessoas que me criticam por ter matado um conterr\u00e2neo noruegu\u00eas est\u00e3o erradas. Euronymous era, na verdade, lap\u00e3o [N.: Origin\u00e1rio da Lap\u00f4nia, regi\u00e3o do norte da Europa que abrange partes da Noruega, Su\u00e9cia, Finl\u00e2ndia e R\u00fassia], o que pode ser claramente visto pelas fotos dele. Suas fei\u00e7\u00f5es de lap\u00e3o (mong\u00f3is) s\u00e3o claramente vis\u00edveis, seu cabelo era tipicamente lap\u00e3o (fino e reto) e sua estatura tamb\u00e9m era reveladora (como a maior parte dos lap\u00f5es, ele era muito baixo).<\/p>\n<p>O problema era que Snorre ainda estava em choque. Tenho que admitir que nada disso me afetou. N\u00e3o se tratava de um grande problema; um criminoso que tinha planos de me matar estava morto. E da\u00ed? N\u00e3o vejo nenhuma raz\u00e3o para ter pena de uma pessoa que planejava me torturar at\u00e9 a morte enquanto gravava tudo para sua pr\u00f3pria divers\u00e3o.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia queria falar comigo \u2013 j\u00e1 que eles acharam desde o primeiro dia que eu era culpado \u2013 e me convocaram para ir a Oslo para ser interrogado Eu concordei e falei com eles, apresentei o \u00e1libi que t\u00ednhamos criado ap\u00f3s o assassinato e me liberaram. Em seguida eles passaram a investiga\u00e7\u00e3o para minha cidade natal, por raz\u00f5es \u00f3bvias, e come\u00e7aram interrogar os outros tamb\u00e9m. Eles n\u00e3o tinham qualquer evid\u00eancia contra mim, ent\u00e3o eles tinham que fazer algu\u00e9m falar para poderem me pegar. Eles entenderam rapidamente que Snorre era o elo fraco da corrente, por assim dizer. Seus nervos estavam \u00e0 flor da pele e eles pegaram pesado com ele. Eles telefonaram para ele na noite em que eu n\u00e3o estava l\u00e1, fazendo perguntas, sempre as mesmas perguntas, at\u00e9 que, depois de nove dias, ele n\u00e3o ag\u00fcentou. De acordo com um relat\u00f3rio da pol\u00edcia, ele estava t\u00e3o abalado emocionalmente que precisaram esperar v\u00e1rias horas antes que pudessem conseguir algum tipo de declara\u00e7\u00e3o dele. Aparentemente aquilo foi uma experi\u00eancia bastante traum\u00e1tica para ele. Ele contou que eu havia matado Euronymous e onde eu estava. Naquele momento eu estava em um clube noturno e, quando eu sa\u00ed (entre 02:00 e 03:00, em uma sexta-feira, 19 de agosto de 1993), me prenderam.<\/p>\n<p>Depois perguntaram meu nome e eu me recusei a dizer. Eles tiraram a minha roupa, me jogaram em uma cela, mantiveram a luz acesa 24 horas por dia, 7 dias por semana e n\u00e3o me deram sequer um cobertor ou len\u00e7ol para eu me deitar. Eu j\u00e1 esperava por isso, ent\u00e3o n\u00e3o houve um grande problema e eu s\u00f3 ria das suas tentativas pat\u00e9ticas de me abalarem mentalmente; por\u00e9m, o \u201c\u00e1libi\u201d em meu apartamento teve o mesmo tratamento, porque contaram que ele estava sendo acusado de assassinato mas, estando completamente despreparado para isso, ele ficou t\u00e3o atordoado que confessou tudo imediatamente. Algo tinha acontecido em Oslo, ele disse, e eu acabei matando Euronymous. Ele disse a eles o mesmo que Snorre tinha dito antes.<\/p>\n<p>Por\u00e9m eles ainda n\u00e3o tinham evid\u00eancia concreta contra mim. A \u00fanica coisa que eles realmente poderiam usar contra mim era a confiss\u00e3o de Snorre, mas ele nem mesmo tinha me visto esfaquear Euronymous. Seu testemunho provava que ele havia estado em Oslo, mas a \u00fanica coisa que me ligava ao crime era seu testemunho. Eles at\u00e9 tinham uma grava\u00e7\u00e3o dele em fita, feita pela c\u00e2mera de vigil\u00e2ncia de um posto de gasolina em H\u00f8nefoss naquela noite, quando ele estava reabastecendo o carro no caminho para Oslo. Eu, por outro lado, n\u00e3o podia ser visto em lugar algum. Ele estava sozinho no carro. Se eles n\u00e3o tivessem feito nada a respeito disso, eles teriam sido for\u00e7ados a conden\u00e1-lo pelo assassinato, e eu ficaria livre. Ele estava com a corda no pesco\u00e7o!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o que Voc\u00ea acha que aconteceu? Eles de repente alegaram \u2013 dois meses ap\u00f3s o assassinato e dois meses ap\u00f3s eu ter me tornado suspeito (e eles j\u00e1 tinham minhas digitais, da pris\u00e3o em janeiro de 1993) \u2013 que haviam encontrado minhas digitais em sangue na cena do crime. Eu estava usando luvas quando o matei, ent\u00e3o eu sabia que aquilo era uma grande asneira, mas ningu\u00e9m mais sabia, e Snorre erroneamente acreditou que eu tinha dito a ele que eu n\u00e3o estava usando luvas quando o matei. Ent\u00e3o, subitamente, Snorre e o outro cara mudaram suas hist\u00f3rias e alegaram que n\u00f3s hav\u00edamos planejado tudo. Disseram pro cara no apartamento que eu tinha cometido o crime mas, se ele n\u00e3o cooperasse com eles, ent\u00e3o Snorre seria condenado em meu lugar. \u201cVoc\u00ea quer que Snorre v\u00e1 para a cadeia por algo que Varg fez?\u201d. Tudo estava preparado para me pegarem e para livrarem Snorre mas, nesse processo, eles inventaram uma hist\u00f3ria que era muito pior que a verdade. Eles alegaram que Snorre tinha planejado seu \u00e1libi dando seu cart\u00e3o eletr\u00f4nico (cart\u00e3o de cr\u00e9dito) para o outro cara, que o usaria no meio da noite em Bergen, deixando assim evid\u00eancia eletr\u00f4nica de que ele estava em Bergen e n\u00e3o em Oslo naquele momento. Mas o \u00fanico problema era que ele nunca deu ao outro cara seu cart\u00e3o, ent\u00e3o o outro cara obviamente nunca deixou rastro eletr\u00f4nico algum em Bergen, ent\u00e3o qual o motivo de fazer tal alega\u00e7\u00e3o? Eles alegaram que alugamos filmes que j\u00e1 t\u00ednhamos visto antes ent\u00e3o, se algu\u00e9m nos perguntasse sobre os filmes, ser\u00edamos capazes de dizer do que se tratavam. Eles tamb\u00e9m alegaram que o cara em meu apartamento tinha estado l\u00e1 para fazer barulho, assim os vizinhos acreditariam que eu estava em casa. Disseram ainda que ele havia sa\u00eddo do apartamento usando minha jaqueta, para fazer as pessoas que ele encontrasse na rua acreditassem que ele era eu, usando o cart\u00e3o de Snorre para deixar evid\u00eancia eletr\u00f4nica. Entretanto, ele nunca pegou o cart\u00e3o de Snorre e ningu\u00e9m disse que o tinha visto se passando por mim, ent\u00e3o&#8230; Snorre teria me acompanhado para enganar Euronymous para que me deixasse entrar em seu apartamento, eles tamb\u00e9m alegaram, embora tenha sido eu quem tocou a campainha e falou com ele. Finalmente, eles disseram que eu havia dado uma faca a Snorre, que havia ficado no carro, no caso de eu precisar de sua ajuda. Essa, claro, era a faca de cinto que eu havia pedido a ele que colocasse no porta-luvas, porque eu n\u00e3o queria uma faca jogada no banco de tr\u00e1s do carro. Naturalmente, eu n\u00e3o a coloquei no cinto porque \u00e9 ilegal andar por Oslo com uma grande faca no cinto e eu poderia ter sido preso se a pol\u00edcia me pegasse. Eles distorceram tudo completamente e fizeram parecer que eu havia planejado o assassinato.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei se isso \u00e9 embara\u00e7oso ou apenas est\u00fapido, mas o cara no apartamento costumava realmente dizer que era eu quando sa\u00eda. Ele chegava a dizer \u201cOi, eu sou o \u2018Conde\u2019\u201d como chamariz quando estava paquerando as garotas (?!). Sei disso porque algumas garotas me contaram. Ent\u00e3o se ele realmente usou minha jaqueta e andou por Bergen tentando fazer as pessoas acreditarem que ele era eu, isso n\u00e3o significava necessariamente que ele estava tentando me dar um \u00e1libi. Isso na verdade \u00e9 uma prova do qu\u00e3o pat\u00e9tico ele era \u2013 e o qu\u00e3o baixos alguns seres humanos podem ser para conseguirem transar. Devo acrescentar que eu n\u00e3o vejo como esse chamariz poderia ter dado certo, considerando que seria muito f\u00e1cil para as garotas perceberem que ele n\u00e3o era \u201co Conde\u201d. Bergen \u00e9 uma cidade muito pequena de apenas 130.000 (ou 250.000 se voc\u00ea incluir toda a municipalidade) pessoas e praticamente todo mundo naquela \u00e9poca sabia qual era a minha apar\u00eancia, ent\u00e3o onde \u00e9 que ele estava com a cabe\u00e7a?! Ele nem era natural de Bergen (e sim de Lillehammer, no leste da Noruega), e qualquer um poderia perceber isso no momento que ele abria a boca.<\/p>\n<p>Na verdade, eu chego at\u00e9 a ficar envergonhado pelo fato de ter feito amizade com essas pessoas, tanto esse cara quanto Snorre \u2013 e por algum tempo tamb\u00e9m com Euronymous. H\u00e1 um ditado que diz: \u201cDiga-me com quem andas que te direi quem \u00e9s\u201d. Se isso \u00e9 verdade eu certamente fui um completo idiota&#8230; Mas em meu favor devo salientar que eu tamb\u00e9m tinha outros amigos, bons amigos (p\u00f4xa!).<\/p>\n<p>Eles nunca conseguiram explicar porque Snorre poderia querer matar Euronymous. Ele tinha acabado de se juntar ao Mayhem como guitarrista, algo que era o sonho de muitos guitarristas de heavy metal, tenho certeza, e era um amigo de inf\u00e2ncia de Euronymous, ent\u00e3o isso n\u00e3o faz sentido algum. Al\u00e9m disso, eles alegaram que eu havia planejado \u201ccortar sua garganta\u201d (provavelmente porque aquilo fazia com que eu parecesse muito cruel) mas, se fosse esse o caso, porque ent\u00e3o eu traria uma faca cega que era somente pontuda? Eu poderia ter simplesmente tentado cortar sua garganta com uma colher. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o faz nenhum sentido \u2013 e sabemos ainda perfeitamente que eu n\u00e3o cortei sua garganta.<\/p>\n<p>Eles e a pol\u00edcia estavam t\u00e3o interessados em inventar coisas para me condenar que, no final, Snorre tamb\u00e9m acabou condenado, por me ajudar a planejar um assassinato e por me ajudar psicologicamente (sim, \u201cclaro\u201d). Por\u00e9m, o outro cara, que alegou ter participado ativamente do planejamento do \u201cassassinato\u201d e do meu \u00e1libi, passou um total de uma \u00fanica noite numa cela. Ele nunca foi acusado de coisa alguma, o que \u00e9 bem estranho. Se a pol\u00edcia tinha acreditado seriamente na teoria maluca que ele apresentou, ele deveria ter sido condenado tamb\u00e9m, mas eles sabiam que aquilo era um monte de asneiras criadas para me pegar, e ent\u00e3o deixaram ele ir. E devo acrescentar que n\u00e3o temos um sistema de recompensas para informantes aqui na Noruega, como eles t\u00eam nos EUA e possivelmente em outros pa\u00edses tamb\u00e9m. N\u00e3o h\u00e1 maneira de negociar para sair livre se voc\u00ea cometeu um crime na Noruega. O fato \u00e9 que eles simplesmente n\u00e3o queriam conden\u00e1-lo por algo que ele n\u00e3o tinha feito. Ele estava mentindo, e eles sabiam disso, porque eles disseram a ele para inventar aquelas mentiras!<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio advogado de defesa de Snorre (que era Ma\u00e7om) at\u00e9 mesmo testemunhou contra seu pr\u00f3prio cliente, j\u00e1 que ele estava muito interessado em me \u201cpegar\u201d, e, quando Snorre foi condenado at\u00e9 o j\u00fari pareceu triste (\u201csinto muito, mas temos que condenar Voc\u00ea tamb\u00e9m\u201d) e eu n\u00e3o acho que algu\u00e9m esperava aquilo. Foi uma mudan\u00e7a inesperada para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>No tribunal eu disse a eles que Snorre n\u00e3o tinha nada a ver com aquilo e que ele estava no lugar errado e na hora errada mas, no dia seguinte, Snorre estava testemunhando e alegou que eu estava errado. Eu tinha planejado tudo e ele sabia porque ele era parte do esquema. Toda a sua estrat\u00e9gia de defesa baseou-se em demonstrar que eu n\u00e3o podia culp\u00e1-lo, mas eu sequer tinha pensado nisso (e levei um bom tempo para entender que essa era sua preocupa\u00e7\u00e3o). Se ele tivesse dito a verdade, ele teria se livrado da condena\u00e7\u00e3o mas, ao inv\u00e9s disso, ele insistiu em sua mentira \u2013 porque seu advogado de defesa convenceu-o a fazer isso \u2013 e ele pegou 8 anos por fazer absolutamente nada.<\/p>\n<p>A m\u00eddia divulgou que o assassinato foi o resultado de uma \u201cluta pelo poder\u201d em um \u201cmovimento sat\u00e2nico\u201d e que eu o tinha matado para tomar o seu lugar como l\u00edder (?). Mas isso n\u00e3o faz o menor sentido. Ent\u00e3o \u00e9 assim que a coisa funciona? Voc\u00ea mata algu\u00e9m para tomar o seu lugar? Se Voc\u00ea quiser ser indicado como diretor de uma firma, Voc\u00ea n\u00e3o consegue tal coisa matando o diretor atual. Em que tipo de mundo esses jornalistas vivem? Seria num bando de animais ou coisa desse tipo? Isso simplesmente n\u00e3o faz sentido algum. Mas essa era a teoria deles, sua \u00fanica teoria. O jornalista \u201cdominante\u201d (Michael Grundt Spang), que escrevia para o maior jornal da Noruega, at\u00e9 mesmo gastou seu tempo escrevendo sobre meu cabelo e sobre minha apar\u00eancia em geral. De acordo com ele, eu \u201cjogava\u201d meu \u201crabo-de-cavalo castanho\u201d de um lado pro outro \u201ccomo uma garota\u201d e n\u00e3o possu\u00eda \u201cbrilho diab\u00f3lico\u201d ao meu redor, como seria de se esperar de um \u201csatanista diab\u00f3lico\u201d como eu, e assim por diante. Ele ficou, obviamente, bastante desapontado pelo fato de eu n\u00e3o parecer \u201cdiab\u00f3lico\u201d. Aparentemente nunca passou pela cabe\u00e7a dele que eu poderia n\u00e3o parecer um \u201csatanista diab\u00f3lico\u201d simplesmente porque eu n\u00e3o era um \u201csatanista diab\u00f3lico\u201d&#8230; Snorre foi simplesmente descrito como \u201cuma vers\u00e3o menor, mais magra e mais p\u00e1lida do Conde\u201d. O jornalista certamente n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de que aquilo soasse engra\u00e7ado, mas certamente soou, simplesmente porque era incrivelmente idiota.<\/p>\n<p>Os outros caras da cena naturalmente ficaram furiosos comigo, j\u00e1 que eles tamb\u00e9m come\u00e7aram a acreditar na teoria do jornal sobre uma luta pelo poder, ent\u00e3o eles tamb\u00e9m \u2013 com algumas poucas exce\u00e7\u00f5es (como Fenriz do Darkthrone e os caras do Mayhem)\u2013 fizeram de tudo para me crucificar e, nesse processo, eles deduraram uns aos outros e finalmente, por causa deles, a pol\u00edcia resolveu quase todos os crimes cometidos pelos caras do black metal na Noruega entre 1991 e 1993. Eu falei com alguns deles depois e disseram-me que, se eles soubessem da verdade, eles nunca teriam me atacado (e, com isso, atacado-se mutuamente) como fizeram. Eles foram manipulados pela m\u00eddia e, claro, pela pol\u00edcia. Mentiram para eles, como para todo mundo e, infelizmente, eles n\u00e3o foram capazes de enxergar al\u00e9m das mentiras.<\/p>\n<p>Fui condenado a 21 anos, a pena m\u00e1xima na Noruega, e o juiz alegou que eu tive \u201cum motivo incompreens\u00edvel\u201d para mat\u00e1-lo. \u00c9 realmente t\u00e3o dif\u00edcil assim entender que eu o matei porque eu soube que ele tinha planos de me torturar at\u00e9 a morte e depois me atacou? Que parte disso o juiz n\u00e3o entendeu? Inicialmente era autodefesa mas, quando ele come\u00e7ou a fugir, eu n\u00e3o estava mais numa situa\u00e7\u00e3o de vida ou morte ent\u00e3o, naquele momento, n\u00e3o era mais autodefesa e sim homic\u00eddio doloso e, na minha opini\u00e3o, aquilo foi um ataque preventivo, para que ele n\u00e3o tivesse uma segunda chance de me matar. Por isso minha pena deveria ter ficado apenas entre 8 e 10 anos! Ao inv\u00e9s disso, eu peguei 21 anos e Snorre pegou 8 anos por fazer absolutamente nada!<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m tentaram apresentar o assassinato como brutal e alegaram que ele morreu porque seus dois pulm\u00f5es tinham sido perfurados. Eles ainda alegaram que eu o esfaqueei 23 vezes. Em primeiro lugar, eu sabia muito bem que ele havia morrido quando eu o esfaqueei na cabe\u00e7a. Em segundo lugar, ele caiu sobre uma pilha de fragmentos de vidro estando de cueca. Naturalmente, ele se cortou muito \u2013 at\u00e9 mesmo sob um de seus calcanhares, j\u00e1 que ele se levantou depois de cair. Eles tamb\u00e9m sabiam disso, por\u00e9m alegaram que eu o tinha esfaqueado 23 vezes, s\u00f3 para fazerem as pessoas acreditarem que eu era muito cruel, bestial e brutal. No tribunal mostraram fotos da aut\u00f3psia a um j\u00fari perplexo. As fotos mostravam Euronymous nu sobre uma mesa, com todo o cabelo raspado, seus olhos ainda abertos e todos os cortes numerados a caneta sobre sua pele. Eu sabia que foi humilhante para ele ter sido morto mas, quando eles mostraram as fotos da aut\u00f3psia no tribunal, aquilo foi certamente muito pior. Matar babacas \u00e9 uma coisa, mas eu nunca humilharia algu\u00e9m daquela forma.<\/p>\n<p>Ah, e, claro, o juiz incluiu na senten\u00e7a que: &#8220;Varg Vikernes acredita em Sat\u00e3&#8221;, embora eu tenha repetidamente afirmado no tribunal que eu n\u00e3o acreditava nem em \u201cSat\u00e3\u201d e nem em \u201cDeus\u201d. Eles ignoraram a verdade e criaram a sua pr\u00f3pria realidade, por raz\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Falando do j\u00fari, eu tive o \u201cprivil\u00e9gio\u201d de ter o \u00fanico \u201ccurandeiro\u201d crist\u00e3o da Noruega em meu j\u00fari. Ele aparentemente j\u00e1 tinha aparecido na TV, dizendo ser capaz de \u201cextrair o mal do corpo com a ajuda de Jesus\u201d e, dessa forma, \u201ccurar\u201d as pessoas. Seria isso uma coincid\u00eancia? Seria coincid\u00eancia o fato do \u00fanico \u201ccurandeiro\u201d crist\u00e3o da Noruega (naquela \u00e9poca) ser escolhido para o meu j\u00fari? Ele estava relacionado como \u201csecret\u00e1rio\u201d e eu fiquei sabendo que ele era um \u201ccurandeiro\u201d crist\u00e3o muito depois, em 1995, quando um jornalista me contou sobre isso \u2013 e ele tamb\u00e9m contou que pelo menos outros dois membros do j\u00fari eram ma\u00e7ons. Os outros eram todos pensionistas, com exce\u00e7\u00e3o de uma ou duas mulheres. Todos eles eram meus \u201cpares\u201d, sem d\u00favida&#8230; O advogado de defesa de Snorre era ma\u00e7om, como j\u00e1 mencionei, um dos psiquiatras do tribunal era ma\u00e7om e judeu \u201csobrevivente\u201d de Auschwitz (ele era um dos tr\u00eas que viviam na Noruega na \u00e9poca), o outro psiquiatra era um extremista de esquerda, meu advogado de defesa era 100% incapaz de ter um emprego remunerado (devido a um problema card\u00edaco) e, de acordo com o jornalista com quem conversei, pelo menos um dos tr\u00eas ju\u00edzes tamb\u00e9m era ma\u00e7om.<\/p>\n<p>Os inc\u00eandios de igrejas quase n\u00e3o foram mencionados no tribunal. Em cada caso, eles apresentaram uma testemunha, que alegou que eu queimei essa ou aquela igreja, e foi s\u00f3. \u201cCulpado\u201d. Apenas isso. Esse processo foi repetido quatro vezes e eu fui considerado culpado de atear fogo em quatro igrejas, tr\u00eas delas tendo sido completamente queimadas. N\u00e3o havia uma \u00fanica evid\u00eancia sequer em qualquer um desses casos. Eu fui condenado somente devido ao testemunho de uma \u00fanica pessoa em cada caso. Todas essas testemunhas eram amigos de Euronymous!<\/p>\n<p>At\u00e9 o meu incompetente advogado n\u00e3o se preocupou em argumentar sobre os inc\u00eandios, alegando que \u201cisso n\u00e3o era importante\u201d. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o vai receber uma pena muito alta por isso, de qualquer forma\u201d, ele pensou. Outra coisa interessante \u00e9 que nenhuma impress\u00e3o digital, ou qualquer outra evid\u00eancia t\u00e9cnica, foi apresentada no tribunal. Quando fui preso eu tinha uns 3.000 cartuchos de muni\u00e7\u00e3o (a maioria .22LR, 38 Special, 7,52N, 7.92 mm e calibre 12) em meu apartamento, mas a maior parte n\u00e3o foi nem mesmo inclu\u00edda na lista de objetos confiscados. Os policiais simplesmente pegaram o que quiseram. Para eles era \u201cmuni\u00e7\u00e3o gratuita\u201d. Eles at\u00e9 roubaram meu capacete de a\u00e7o da SS, embora eu s\u00f3 possa imaginar porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Finalmente, fui condenado por roubar e armazenar por volta de 150 kg de explosivos (a maior parte dinamite e um pouco de glynite) e tr\u00eas sacolas de detonadores eletr\u00f4nicos e tamb\u00e9m por invadir algumas cabanas nas montanhas \u2013 das quais eu, de acordo com eles, roubei uma bandeira da Noruega (?!) e um livro, enquanto procurava armas. Eu nunca fui condenado por profana\u00e7\u00e3o de sepulturas, como muitos parecem acreditar, ou por atear fogo na Igreja Fantoft Stave. Eles n\u00e3o acharam nenhum \u201cmetalhead\u201d burro que pudesse mentir e dizer a eles que tinha me acompanhado no inc\u00eandio da igreja, como nos outros casos, ent\u00e3o eles n\u00e3o tinham evid\u00eancia alguma contra mim naquele contexto, e eu tinha at\u00e9 mesmo um \u00e1libi, j\u00e1 que uma garota de Oslo tinha passado a noite comigo (mesmo assim meu advogado de \u201cdefesa\u201d nem se preocupou em pedir a ela que testemunhasse em minha defesa!). A acusa\u00e7\u00e3o foi toda baseada em boatos. Al\u00e9m disso, quando o j\u00fari n\u00e3o me considerou culpado por incendiar a Igreja Fantoft Stave, a ju\u00edza principal ficou t\u00e3o zangada que disse que era \u201c\u00f3bvio\u201d que eu tinha feito aquilo tamb\u00e9m, mas isso n\u00e3o importava, j\u00e1 que eu receberia a pena m\u00e1xima mesmo \u2013 e, surpreendentemente, ela disse isso antes dos tr\u00eas ju\u00edzes e membros do j\u00fari come\u00e7arem a discutir sobre a pena, ent\u00e3o, obviamente, eles j\u00e1 haviam decidido de antem\u00e3o que eu deveria pegar 21 anos de qualquer maneira. Eles queriam me usar como exemplo, para mostrar \u00e0 juventude da Noruega que n\u00e3o se deve brincar com \u201ca M\u00e3e dos Porquinhos\u201d.<\/p>\n<p>O assassinato de Euronymous foi uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para eles. Finalmente eles tiveram uma desculpa para se livrarem de mim (ou foi nisso que eles acreditaram: as pessoas tendem a acreditar que at\u00e9 mesmo um ano na pris\u00e3o significa \u201co fim\u201d de tudo). Eu n\u00e3o acho que tudo isso teria acontecido se a m\u00eddia n\u00e3o tivesse publicado tantas mentiras sobre mim, porque foram essas mentiras que fizeram Euronymous querer se livrar de mim em primeiro lugar: Eu ganhei tanta aten\u00e7\u00e3o que ele ficou com inveja. Portanto o sistema de justi\u00e7a me condenou a 21 anos porque a m\u00eddia me deu tamanha aten\u00e7\u00e3o que eu me tornei mais importante e influente do que eu era no in\u00edcio e porque eles foram t\u00e3o intensamente provocados pelos inc\u00eandios das igrejas que perderam a cabe\u00e7a completamente.<\/p>\n<p>Em resumo, fui atacado por um criminoso condenado, me defendi e peguei 21 anos por isso. E como se isso n\u00e3o fosse suficiente, mudaram as regras depois que fui condenado, o que significou oficialmente que devo cumprir 2 anos a mais do que eu deveria. 21 anos significam que eu seria solto depois de 12 anos mas, h\u00e1 alguns anos (em 2000 ou 2001), as regras foram mudadas, logo, de acordo com eles, agora devo cumprir 14 anos, porque a nova lei \u00e9 retroativa! Por\u00e9m, \u00e9 ilegal criar leis retroativas como essa, de acordo com a constitui\u00e7\u00e3o da Noruega e leis internacionais, mas quem se importa? Em 1945, quando a guerra acabou, n\u00e3o t\u00ednhamos nem mesmo pena de morte em tempos de guerra na Noruega, mas o sistema judici\u00e1rio que temos hoje criou uma nova lei, fez com que seja retroativa e executou doze pessoas (em tempos de paz!). N\u00e3o sou um \u201cpobre\u201d imigrante afro-asi\u00e1tico nem um extremista de direita, ou um crist\u00e3o fracote implorando por miseric\u00f3rdia, ent\u00e3o de maneira alguma a m\u00eddia dar\u00e1 algum tipo de apoio a mim. Sou simplesmente persona non grata na Noruega, um pa\u00eds que muitos europeus ocidentais conhecem como \u201ca \u00faltima rep\u00fablica Sovi\u00e9tica\u201d. Eu ainda posso pedir a condicional depois de 12 anos apenas mas, pela minha experi\u00eancia com o sistema judici\u00e1rio da Noruega, n\u00e3o estou muito otimista a esse respeito. H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre \u00de\u00f3rr e Loki, como dizemos aqui na Escandin\u00e1via.<br \/>\nEstou furioso com tudo o que aconteceu, mas sei que darei a volta por cima no final e acho que isso \u00e9 o que realmente importa. Eu nem mesmo os odeio, apenas tenho pena deles. Acima de tudo sou grato por n\u00e3o ser como eles. Recuperarei minha liberdade um dia, mas eles provavelmente n\u00e3o ter\u00e3o melhorado nem um pouco. \u00c9 como no caso do gordo e do feio: o gordo sempre pode perder peso, mas o feio sempre ser\u00e1 feio.<\/p>\n<p>Obrigado pela sua aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVarg &#8220;o vil\u00e3o&#8221; Vikernes<\/p>\n<p>Dezembro de 2004<\/p>\n<p>Corruptissima re publica plurimae leges (Cornelius Tacitus) (Quanto mais corrupto \u00e9 o Estado, mais leis existem)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/whiplash.net\/materias\/biografias\/085954-burzum.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CLIQUE AQUI<\/a> para ler mais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19 anos atr\u00e1s acontecia um fato que marcou para sempre a hist\u00f3ria do metal. Euronymous, guitarrista do Mayhen, foi assassinado com 23 facadas por Varg Vikernes. Em 2004 Varg publicou no site do Burzum a biografia redigida por ele mesmo, no trecho abaixo ele conta os fatos que o levaram ao assassinato de Euronymous. 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